os melhores álbuns de 2025

(na minha opinião)


voltando aqui pra tentar pegar o costume de todo ano fazer uma lista dos lançamentos que mais curti. dessa vez tá um pouquinho menor, e em grande parte isso se deve à meta que eu pus pra 2025 de ouvir menos música, mas com mais atenção. como eu felizmente consegui cumprir, hoje trago só 5 álbuns e algumas menções honrosas, mas que foram muito importantes pra mim esse ano.


1. Amor (Lupe de Lupe)

começando com o pé direito, ou melhor, com os dois pés na porta: vos trago Lupe de Lupe com seu álbum "Amor". vou me surpreender se um dia essa banda lançar um álbum e ele não estar entre os meus preferidos do ano, quiçá da vida. Amor (que quase se chamou Amour) é um álbum de apenas 4 músicas, mas muito densas, de mais ou menos 10 minutos cada uma. o som é mais puxado pro pós-rock e as letras falam, obviamente sobre amor, mas principalmente sobre términos. é o auge da banda, sem dúvida alguma. 4 faixas incríveis com uma atmosfera insana que passaram por uma mixagem caótica, documentada quase inteiramente pelo Vitor Brauer. recomendo para todos que querem se conectar com essa Bruta Realidade da vida que a Lupe de Lupe captura de maneira magistral a cada trabalho novo.
eu agradeço a oportunidade.

eu tentei enxergar um dispositivo pra reproduzir
pra me fazer lembrar do tempo
em que eu sabia te fazer feliz
infelizmente mais uma vez eu apostei
que eu poderia ser melhor do que eu sei
eu sei, eu sei, que eu jamais serei
talvez eu seja mesmo irrecuperável
uma máquina ambulante de erros e mentiras
atrás de mentiras, atrás de mentiras

um dia aleatório a gente vai acordar e perceber
que já não lembra mais um do outro

Lupe de Lupe - Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus) ×

2. Afeto e Outros Esportes de Contato (Bella e o Olmo da Bruxa)

parecia que esse não iria sair nunca... mas depois de 5 longos anos desde o último álbum, Bella e o Olmo da Bruxa retorna com uma nova formação, um burra álbum e uma capa esquisitona, mas que estranhamente representa bem a nova direção pra aonde tá indo o som da banda. ainda tive o sonho realizado de ir num show deles com a chococorn esse ano, um pouco antes do lançamento do álbum, em que tocaram algumas inéditas inclusive o HIT "bem no seu aniversário". esse álbum foi uma grande companhia pra mim durante minhas idas e vindas de bicicleta até a faculdade esse ano, chegando no ponto em que eu já sabia em que parte do trajeto iria tocar cada música. não tem como, as letras me pegaram muito; tanto as do Pedro como no inesperado pagode "teu pra vida toda", quanto as do lipo em "vou me matar". mas dentre todas ótimas músicas desse álbum, devo mandar um grande SALVE para a fenomenal colaboração com a sophia chablau em "mesmo assim", que acabou se tornando minha faixa preferida do disco. ×

nosso momento já passou
e foi no meio de uma merda
eu preferia esquecer
só aceitar que não rolou
mas o passado não se enterra

sabe
vai terminar
do mesmo jeito que começou
sem pé nem cabeça, nem amor pra dar

Bella e o Olmo da Bruxa - Mesmo Assim ×

3. natural (terraplana)

mais um álbum em que essa banda reafirma seu posto, na minha opinião, de melhor banda de shoegaze do país. "natural" abraça a estética sussurrada e etérea do shoegaze e eleva a uma personalidade que só as bandas brasileiras conseguem ter. é um baita álbum, com riffs animais como em "horas iguais" e "S.N.C.". acredito que a banda esteja fazendo um bom trabalho em se consolidar como uma banda fácil de se experimentar para conhecer um som novo, mas sem perder a essência alternativa que os trouxe até aqui. me chamou atenção o clipe de "todo dia", minha faixa preferida do álbum, que apesar de não ter saído como single, parece ser tratada com o merecido reconhecimento pela banda e pelo público. o clipe, todo na proporção 1:1 e em preto e branco, entrega uma fotografia belíssima e cenários que compõem muito bem esse universo barulhento de natural.

eu já não aguento mais
todo dia a mesma tela, o mesmo clarão
só quero ver tudo mudar
sem azar

terraplana - todo dia ×

4. Nenhuma Estrela (Terno Rei)

outra banda que tá no meu coração é não é de hoje. esse novo álbum do terno rei desceu mais fácil que o último pra mim... acho que eles tão conseguindo encontrar um ponto de equilíbrio no som deles e encaro esse trabalho como bem mais coeso que o gēmeos (embora eu também goste bastante dele). sinto falta da experimentatividade que eles tiveram nos primeiros álbuns, mas entendo a fase que a banda tá pasando agora mais "amadurecida" (tema esse que aparece bastante nas letras, inclusive). queria deixar um carinho especial para a linda faixa "relógio", que conta com a participação do recém-finado Lô Borges, uma lenda da música brasileira, uma inspiração pessoal pra mim, e que com certeza vai deixar muita saudade. <3

as cores da minha cidade
aos poucos se desfazem
em branco, azul, anil

pelos bairros que eu gosto
eu pedalo até o relógio
é tudo que eu sempre quis

Terno Rei - Relógio ×

5. nem tudo é sobre amor (Quem é você Alice?)

confesso que esse álbum eu fui pegar pra ouvir só no finalzinho do ano, por não ter tido tempo de escutar quando lançou... mas não poderia deixar de fora, de forma alguma. mais uma banda nessa lista que tá de formação nova (felizmente) e inevitavelmente trouxe mudanças pro som deles. sinto que "nem tudo é sobre amor" busca uma sonoridade bem mais próxima do shoegaze do que os últimos trabalhos da QEVA, embora os samples de áudio de whatsapp, vocais e estrutura das músicas ainda sejam familiares pra quem já conhece a banda. é um álbum que me pegou muito desprevenido quanto às letras, que me emocionaram muitas vezes, especialmente na faixa-título e na minha preferida: "a chuva e o teu colo". um salve especial também para as colaborações com a chão de taco e morro fuji, duas outras bandaças da cena.

eu saio da tua casa
mas a rua fica
eu lembrei que era bom
ver a chuva no teu colo
agora olhando para a lua
relembrando, eu choro

passou, prendeu
ficou, mudou
eu me solto

eu irei voltar
não chore mais
não chore mais

Quem é você Alice? - a chuva e o teu colo ×

*. menções honrosas

dedico esse espacinho aqui para os álbuns em que eu curti muito das primeiras vezes que escutei, mas que não ouvi o bastante pra conseguir colocar com convicção na lista. de qualquer forma, recomendo bastante cada um deles :)


  • Tréinquinumpára 06: Porto Velho (Vitor Brauer)
  • Velhos Hábitos (campolargo)
  • private music (Deftones)
  • eternamente, (eliminadorzinho)

obrigado por ler até aqui. (◕‿◕)